Investimentos

A eleição é no domingo: o que decidir hoje para não mexer nos investimentos no susto

No domingo, 4 de outubro, o país vota, e na segunda o preço dos seus investimentos pode aparecer diferente na tela. Entender o que muda de verdade, e o que apenas parece mudar, é o que separa uma decisão pensada de uma reação no susto.

Mulher rega as plantas no portão de casa ao fim da tarde enquanto duas crianças passam de bicicleta pela rua

No domingo, 4 de outubro, o país vota. Na segunda, o preço dos seus investimentos pode aparecer diferente na tela. Entender o que muda de verdade, e o que apenas parece mudar, é o que separa uma decisão pensada de uma reação no susto.

Imagine a cena. Domingo à noite, a apuração termina. Segunda de manhã, você abre o aplicativo antes mesmo do café e vê um número vermelho no lugar onde estava o seu dinheiro investido. O primeiro impulso é quase sempre o mesmo, tirar tudo dali antes que piore.

Esse impulso é humano e costuma sair caro. Quem vende no susto não paga só a queda daquele dia, paga também a diferença entre o preço de venda e o que aquele mesmo investimento valeria meses depois. Por isso a decisão que importa precisa ser tomada agora, com a cabeça fria.

O primeiro turno das eleições gerais é neste domingo, 4 de outubro de 2026, e um eventual segundo turno está marcado para 25 de outubro, conforme o calendário eleitoral aprovado pelo Tribunal Superior Eleitoral. São semanas de notícias e expectativas se revezando, e os preços vão junto.

Por que o preço se mexe antes de qualquer coisa acontecer

Quando você compra uma ação, vira sócio de um pedaço de uma empresa e passa a dividir o lucro nos anos bons e o prejuízo nos ruins. O mercado chama isso de renda variável, o nome técnico para um investimento cujo valor não foi combinado no começo e muda todo dia.

E o preço de hoje não paga pelo lucro que a empresa já teve. Ele paga pelo lucro que as pessoas acham que ela vai ter. Quando o futuro fica mais incerto, e toda eleição deixa o futuro mais incerto por algumas semanas, cada notícia nova mexe um pouco nessa aposta coletiva e o preço balança mais do que o normal. Esse balanço tem nome, volatilidade, que é apenas o tamanho do sobe e desce de um preço num determinado período.

Volatilidade alta não quer dizer que algo deu errado. Quer dizer que ninguém sabe ainda. É por isso que ela costuma aparecer antes do resultado, e não depois dele.

O preço na tela não é o dinheiro no seu bolso

Pense na casa onde você mora. Se o vizinho vender a dele por um valor baixo nesta semana, o preço de mercado da sua caiu junto. Você perdeu dinheiro? Só se vender agora. Se continuar morando ali, aquele número é uma informação, não um prejuízo.

Investimento funciona do mesmo jeito. A oscilação só vira perda, ou ganho, no dia em que você aperta o botão de vender.

Vale inclusive para quem só tem renda fixa, aquele investimento em que você empresta dinheiro ao governo ou a um banco e combina desde o início a regra do que vai receber de volta. Um título público também é reavaliado todo dia útil pelo preço que o mercado pagaria por ele hoje, o que se chama marcação a mercado. Se você levar o título até a data de vencimento, recebe exatamente o que foi combinado. Se vender antes, recebe o preço do dia, que pode estar acima ou abaixo do que você pagou.

Nível de bolha sobre o parapeito de uma janela ao fim da tarde, com a bolha ligeiramente fora do centro, ao lado de um bonequinho de vinil do mascote do Fôlego

O próprio ano de 2026 já mostrou os dois lados

Números pequenos ajudam mais do que teoria. Tome o Ibovespa, o índice que acompanha o desempenho médio das ações mais negociadas na bolsa brasileira. No fechamento de 1º de outubro de 2026 ele estava em 187.198 pontos, de acordo com a série diária do índice no Ipeadata, alimentada com dados da B3, número também noticiado pela imprensa econômica no mesmo dia. No último pregão de 2025 ele havia fechado em 161.125 pontos. São cerca de 16 por cento de alta em nove meses.

Só que esse mesmo período teve dias ruins. Em 3 de março de 2026 o índice caiu 3,28 por cento em um único pregão. E o ponto mais alto do ano não é o de agora, foi 14 de abril de 2026, com 198.657 pontos, quase 6 por cento acima do nível de 1º de outubro. Quem comprou naquele dia de abril está, hoje, olhando um número menor na tela.

Em dinheiro fácil de acompanhar: R$ 1.000 que acompanhassem o índice teriam terminado aquele dia de março valendo por volta de R$ 967. Os mesmos R$ 1.000 aplicados no fim de 2025 estariam perto de R$ 1.162 em 1º de outubro de 2026. É a mesma aplicação. O que muda é o dia em que você resolveu olhar.

Nada disso é previsão, e rentabilidade passada não garante resultado futuro. Os números servem só para mostrar que o sobe e desce é parte do funcionamento normal, não um defeito que apareceu agora.

O que dá para decidir hoje, antes de domingo

Ninguém sabe o que o mercado vai fazer na segunda, e quem afirma saber costuma estar vendendo alguma coisa. Mas existe uma decisão que não depende de nenhuma apuração, e ela é sua: o prazo de cada dinheiro seu.

Separe o que você tem em três caixas, no papel mesmo.

  • O dinheiro dos próximos doze meses: aluguel, matrícula, IPVA, a viagem de janeiro e a reserva de emergência. Esse dinheiro não deveria estar onde o preço oscila. Ele pede liquidez, ou seja, a facilidade de virar dinheiro na conta rápido e sem perder valor no caminho.
  • O dinheiro de dois a cinco anos: a entrada do carro, a obra, o curso. Aqui o prazo já permite aplicações com vencimento marcado, desde que a data combine com a data em que você vai precisar.
  • O dinheiro que você não vai tocar em dez anos ou mais: aposentadoria, estudo de uma criança pequena. É o único que pode conviver com oscilação, porque tem tempo de sobra para atravessar os ciclos.

Vale lembrar o pano de fundo. A Selic, a taxa básica de juros definida pelo Banco Central e que serve de referência para boa parte da renda fixa, está em 13,75 por cento ao ano desde 17 de setembro de 2026, enquanto o IPCA, o índice oficial da inflação medido pelo IBGE, acumulou 4,22 por cento nos doze meses até agosto de 2026. Quem precisa do dinheiro no curto prazo não está sendo obrigado a correr risco para vê-lo render.

Com as três caixas definidas, a pergunta de segunda-feira deixa de ser "vendo ou não vendo" e vira outra, muito mais fácil: esse dinheiro era de qual caixa? Se era o de dez anos, a tela de segunda é só ruído. Se era o dos próximos doze meses e ele estava oscilando, o problema não nasceu na eleição, nasceu na escolha de onde guardar.

Para separar as caixas, você precisa saber quanto do seu saldo já tem dono até o fim do ano. Reunir contas, cartões e o que ainda vai vencer num lugar só, e é para isso que serve organizar o mês num aplicativo como o Fôlego, mostra em poucos minutos qual parte do seu dinheiro pode mesmo esperar dez anos e qual parte já está prometida.

Uma ressalva honesta: este texto não recomenda comprar nem vender nada. Todo investimento tem risco, inclusive o de deixar o dinheiro parado e ver a inflação comer o poder de compra. A escolha certa depende do seu prazo, do seu perfil e do seu momento, e essa parte nenhuma matéria decide por você.

O próximo passo, ainda hoje

Antes do domingo, faça uma coisa só. Escreva numa folha quanto dinheiro você precisa ter disponível até outubro de 2027 e onde esse dinheiro está aplicado hoje. Se a resposta da segunda parte for um investimento que oscila, você acabou de encontrar a única decisão que precisa tomar nesta semana. E ela não depende de nenhum resultado de urna.

Mini-glossário

  • Renda variável: investimento em que você vira sócio de um negócio e o valor muda todo dia, sem combinação prévia de quanto você recebe.
  • Volatilidade: o tamanho do sobe e desce de um preço num período. Volatilidade alta indica incerteza, não necessariamente perda.
  • Marcação a mercado: a reavaliação diária de um título pelo preço que o mercado pagaria por ele hoje, mesmo que você pretenda ficar com ele até o vencimento.
  • Ibovespa: índice que mede o desempenho médio das ações mais negociadas na bolsa brasileira.
  • Liquidez: a facilidade de transformar um investimento em dinheiro na conta sem perder valor no caminho.
  • Selic: a taxa básica de juros da economia, definida pelo Banco Central, que serve de referência para boa parte da renda fixa.

Fontes

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