Como usar as tags do Fôlego para descobrir quanto o fim de ano custa de verdade
A categoria conta o que você comprou. A tag conta para que você comprou. O passo a passo para etiquetar os gastos da temporada no Fôlego e chegar em janeiro com um número no lugar da dúvida.

A fatura de janeiro chega e você fica olhando para ela tentando responder uma pergunta simples: quanto o fim de ano custou? O presente do sobrinho está em Compras. A ceia está em Supermercado. O jantar da confraternização está em Restaurante. A passagem para a casa da sua mãe está em Transporte. Nenhuma dessas linhas está errada, e mesmo assim nenhuma delas responde a pergunta.
Essa conta que ninguém fecha tem um preço. Em agosto de 2026, o Brasil chegou a 83,9 milhões de pessoas com contas em atraso, o maior número de toda a série histórica da Serasa, depois de 20 meses seguidos de alta. Boa parte desse aperto não nasce de um gasto enorme e único. Nasce de muitos gastos médios que ninguém somou a tempo.
E o fim de ano tem hora marcada. A primeira parcela do 13º salário precisa ser paga até 30 de novembro, prazo fixado pela Lei 4.749 de 1965. A temporada de compras começa antes disso. Ou seja, o dinheiro extra e a lista de gastos chegam quase juntos, e quem não separou os dois costuma descobrir a diferença só na virada do ano.
Categoria diz o que você comprou. Tag diz para que você comprou
Pense nas etiquetas de papel que vêm penduradas num presente. A caixa continua sendo uma caixa e o papel continua sendo papel, mas a etiqueta diz a quem aquilo pertence. Uma tag, que é exatamente isso, uma etiqueta livre que você cola em um lançamento, faz o mesmo com o seu gasto: não muda a natureza dele, só informa de que projeto ele faz parte.
A diferença prática é esta. A categoria responde "quanto gastei em supermercado". A tag responde "quanto custou o Natal". A primeira pergunta organiza o mês. A segunda organiza um acontecimento, e acontecimento não cabe em categoria nenhuma, porque ele se espalha por várias ao mesmo tempo.
Passo 1: crie a etiqueta da temporada antes de gastar
No menu lateral, abra Tags. É uma lista própria, separada das categorias, com um botão Nova tag no canto superior direito. Dê a ela um nome que você vá reconhecer daqui a seis meses, algo como "Fim de ano 2026".

O recurso é ter uma lista de etiquetas que não se mistura com a de categorias. A vantagem é poder marcar um projeto sem inventar uma categoria nova para ele. O benefício é que o seu histórico continua comparável mês a mês, e ainda assim você consegue isolar o fim de ano quando quiser.
Aqui está a decisão que esse passo destrava e o erro que ele evita, e isso vale mesmo para quem controla o dinheiro num caderno. Categoria é para aquilo que se repete todo mês: moradia, transporte, alimentação. Evento que começa e termina, como uma viagem, uma reforma ou o Natal, pede etiqueta, não categoria. Quem cria uma categoria "Natal" ganha uma linha que fica zerada em fevereiro e atrapalha toda comparação de médias dali em diante.
Passo 2: marque os lançamentos e depois filtre por essa etiqueta
Em Lançamentos, clique em Filtros avançados. Abaixo do campo de categorias aparece o campo TAGS. Ele abre uma caixa com a busca "Buscar ou criar tag", então, se você esqueceu de criar a etiqueta antes, dá para criá-la ali mesmo, sem sair da tela.

Um detalhe que muda o resultado: cada lançamento aceita mais de uma etiqueta ao mesmo tempo. O mesmo jantar pode ser "Fim de ano 2026" e "Família". Isso importa porque a vida real não separa as coisas em gavetas exclusivas, e forçar cada gasto a caber em um rótulo só é o que faz a maioria dos controles financeiros desandar no segundo mês.
O passo que ninguém pula impunemente é a marcação. A etiqueta só funciona se for colada no momento em que o gasto acontece, ou no mesmo dia. Memória de gasto tem prazo de validade curto, e reconstruir em janeiro o que aconteceu em novembro é justamente o trabalho que a etiqueta existe para evitar.
Passo 3: abra o período e leia o total no rodapé
Com a etiqueta escolhida, use os campos PERÍODO para abrir a janela de tempo do seu projeto, por exemplo de 1º de novembro a 31 de janeiro. A lista se reduz aos lançamentos marcados e o rodapé passa a somar apenas o que está filtrado.

Repare na tela acima, capturada numa conta de demonstração. Os lançamentos marcados com a mesma etiqueta vêm de categorias completamente diferentes umas das outras, e o rodapé fecha o recorte inteiro em R$ 71.110,54 de despesas. Esse espalhamento é o problema, e a soma no rodapé é a resposta.
Vale entender as duas colunas da direita antes de tirar conclusão. Realizado é o que já saiu da conta. Projetado inclui também o que está registrado e ainda vai vencer. A distância entre os dois números é a parte da festa que você já pagou e a parte que ainda vai chegar, e é essa distância que separa um susto de um plano.
O que você passa a enxergar
Suponha que alguém pergunte quanto custou o seu fim de ano e a sua resposta de cabeça seja "uns R$ 400 de presentes". Com a etiqueta colada desde novembro, a soma aparece assim: R$ 400 em presentes, R$ 300 na ceia, R$ 200 no jantar da confraternização e R$ 100 de transporte. Total de R$ 1.000. Não é que você gastou mais do que imaginava. É que você só tinha contado um quarto.
Esse número tem uma segunda vida, e é ela que interessa. R$ 1.000 divididos por dez meses são R$ 100 por mês, de fevereiro a novembro. É o mesmo fim de ano, pago em dez parcelas que você escolheu, em vez de uma fatura que apareceu sozinha em janeiro. Guardar antes não cobra juros de ninguém. Parcelar depois cobra, e a conta de quanto cobra costuma ser bem menos simpática do que a da ceia.
Dá para separar esse valor numa caixinha do Fôlego, que reserva o dinheiro dentro da própria conta, sem abrir outra. Mas a ferramenta aqui é o menor dos pontos. O que muda a sua vida financeira é ter transformado uma sensação, "o fim de ano é caro", em um número que cabe numa frase.
O próximo passo, hoje
Abra Tags, crie uma etiqueta com o nome da sua temporada e cole nela o primeiro gasto de fim de ano que você fizer, mesmo que seja um pacote de papel de presente de R$ 12. Depois marque cada gasto seguinte no dia em que ele acontecer. Em janeiro, você abre Filtros avançados, escolhe a etiqueta, ajusta o período e lê o total.
O número não vai ser confortável nem desconfortável. Vai ser verdadeiro, e é a única versão com a qual dá para trabalhar no ano seguinte.
Mini-glossário
Lançamento: cada entrada ou saída de dinheiro registrada no aplicativo, com data, valor, conta e categoria.
Categoria: o tipo do gasto, aquilo que tende a se repetir todo mês, como Supermercado, Transporte ou Moradia.
Tag: uma etiqueta livre que você cola num lançamento para agrupar, num assunto só, gastos que estão em categorias diferentes.
Projetado: o total que inclui também o que ainda não foi pago, mas já está registrado para vencer dentro do período filtrado.
Fontes
- Serasa, Mapa da Inadimplência e Renegociação de Dívidas no Brasil, dados de agosto de 2026, acesso em 23 de setembro de 2026: https://www.serasa.com.br/limpa-nome-online/blog/mapa-da-inadimplencia-e-renogociacao-de-dividas-no-brasil/
- eSocial, Governo Federal, prazo de pagamento da primeira parcela do 13º salário até 30 de novembro: https://www.gov.br/esocial/pt-br/noticias/prazo-para-pagamento-da-primeira-parcela-do-13o-salario-encerra-se-dia-30-de-novembro
- Presidência da República, Lei 4.749 de 12 de agosto de 1965, pagamento da gratificação de Natal: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l4749.htm
- Fôlego, telas de Tags e de Lançamentos capturadas em conta de demonstração em 23 de setembro de 2026.


