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Como criar um limite de gasto por categoria no Fôlego e ser avisado antes de estourar o mês

A inflação de julho de 2026 ficou em 0,07%, quase parada, e mesmo assim a energia elétrica subiu 3,09%. Veja, passo a passo e com as telas reais do aplicativo, como pôr um teto em cada categoria e ser avisado no meio do mês, não no extrato do dia 30.

Relógio de luz numa parede de casa brasileira, com uma mulher regando plantas ao fundo em luz de manhã

Em 11 de agosto de 2026, o IBGE divulgou que os preços no Brasil subiram 0,07% em julho. Quase nada. No mesmo mês e dentro do mesmo índice, a energia elétrica residencial ficou 3,09% mais cara e a comida que você leva para casa ficou 1,14% mais barata.

As duas coisas moram juntas no IPCA, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo, que é a média do que subiu e do que caiu numa cesta de consumo de milhões de famílias. Média é isso: ela junta o seu chuveiro elétrico com o supermercado do vizinho e devolve um número só.

Aí está a dor no seu bolso. Se você decide quanto pode gastar olhando o número da manchete, está administrando uma casa com a régua de um país inteiro. A sua casa tem um peso próprio em cada categoria, e é esse peso que decide se o mês fecha no azul.

A saída não é acompanhar índice. É pôr um teto em cada categoria e ser avisado quando estiver perto dele. Este texto mostra como fazer isso no Fôlego, em quatro passos, e o que cada passo muda na sua decisão mesmo que você nunca abra o aplicativo.

Passo 1: descubra quanto você gasta de verdade em cada categoria

Antes de escolher um limite, você precisa de um número honesto. Abra o menu Relatórios. A tela lista as categorias de despesa do mês, do maior gasto para o menor, com o percentual que cada uma ocupa no total e, logo abaixo do nome, a média dos últimos seis meses.

Tela de Relatórios do Fôlego com as categorias de despesa do mês, o percentual de cada uma no total e a média dos últimos seis meses

Essa média de seis meses é o coração do passo. O recurso é simples, o gasto do mês aparece ao lado do seu próprio histórico. A vantagem é que você para de comparar o seu mês com a inflação do país e passa a comparar com o seu mês passado. O benefício é o limite deixar de ser um desejo e virar um número que já sobreviveu a seis meses da sua vida real.

O erro que esse passo evita é o mais comum de todos: o orçamento de fantasia. Quem gasta em média R$ 1.400 por mês com alimentação e escreve R$ 700 no papel não criou disciplina, criou uma meta que vai ser abandonada na segunda semana. Corte de 10% em cima do número real, dá para sustentar. Corte de 50% em cima de um número imaginado, não.

Passo 2: crie o limite na categoria que mais pesa

Com a média na mão, vá em Orçamentos e toque em Novo orçamento. O formulário tem quatro decisões, e nenhuma delas é enfeite.

Formulário Novo orçamento do Fôlego com alvo Categoria, tipo Limite de gasto, limite de R$ 1.200,00 e os meses de agosto a dezembro selecionados

A primeira é o Alvo do orçamento, que pode ser Categoria, Cartão ou Conta. Parece detalhe e não é. A categoria responde em que você gasta, o cartão e a conta respondem por onde o dinheiro saiu. Quem coloca o limite no cartão quando o problema é o hábito costuma ver o gasto migrar para o débito e a tela continuar verde, com o mesmo rombo acontecendo em outro lugar.

A segunda é o Tipo de orçamento, com duas opções, Limite de gasto, que é o valor máximo que você quer gastar, e Meta de receita, que é o valor que você quer alcançar. Quem trabalha por conta própria e tem renda irregular usa as duas: um teto para o que sai e um piso para o que precisa entrar.

A terceira é o campo Limite, em reais, onde entra o número que você tirou dos Relatórios. No exemplo da tela, R$ 1.200 para Alimentação.

A quarta são os Meses e o Ano. Você marca vários meses de uma vez, e essa é a parte que quase todo mundo subestima. O seu ano não é feito de doze meses iguais. Agosto, setembro e outubro são o auge do período seco, quando os reservatórios baixam, as usinas térmicas entram em operação e a conta de luz encarece. Tanto que a ANEEL manteve a bandeira amarela em agosto de 2026, com acréscimo de R$ 1,885 a cada 100 quilowatts-hora consumidos, o quarto mês seguido nesse patamar desde maio. Depois vem o fim do ano, com presentes e viagens. Marcar os meses um por um deixa você dar um limite maior para a categoria de energia no inverno seco e um limite menor no verão, em vez de repetir o mesmo teto o ano inteiro e errar nos dois extremos.

Passo 3: leia o painel no meio do mês, não no fim

Criado o limite, a tela de Orçamentos vira o seu painel. Cada categoria aparece como um cartão com o quanto já foi gasto, o percentual do limite consumido, a barra de progresso e, no canto, quanto ainda falta para o teto.

Tela de Orçamentos do Fôlego com os cartões de cada categoria, barra de progresso, percentual consumido e quanto falta para o limite

O número que muda comportamento é o "Faltam". Ele transforma uma pergunta vaga, será que estou gastando muito, numa conta de padaria. Se o limite é R$ 1.200, você gastou R$ 900 e ainda faltam onze dias para o mês virar, sobram R$ 300, ou perto de R$ 27 por dia. Esse é um número com o qual dá para tomar decisão hoje à tarde, na hora de escolher entre cozinhar e pedir entrega.

O erro evitado aqui é de tempo, não de valor. A maioria das pessoas descobre o estouro no extrato do dia 30, quando não sobrou nenhuma decisão para tomar. Olhar o painel por volta do dia 15 e do dia 25 custa dois minutos e devolve para você a única coisa que o extrato nunca devolve: a chance de reagir enquanto o mês ainda está acontecendo.

Passo 4: deixe o alerta trabalhar por você

Ninguém abre aplicativo de finanças todo dia, e nem precisa. Em Notificações, na aba Alertas de metas, o Fôlego lista os orçamentos que passaram de um patamar de atenção, com o rótulo Moderado ou Crítico, o percentual já consumido e o par de valores gasto e limite.

Aba Alertas de metas nas Notificações do Fôlego, com avisos moderado e crítico mostrando o percentual do limite já consumido

Vale olhar essa tela com honestidade, porque ela ensina mais do que parece. Na conta de demonstração há avisos em 79%, em 113% e até em 790% do limite. Ou seja, o alerta não impede o gasto, e nenhum aplicativo impede. O que ele encurta é a distância entre o estouro acontecer e você ficar sabendo.

Essa distância é onde a dívida cara nasce. Quando o aviso chega no dia 12, sobram dezoito dias para segurar o resto do mês. Quando chega junto com a fatura, o mesmo estouro já virou parcelamento ou rotativo, que é o crédito automático do cartão de quem paga menos que o total da fatura, historicamente um dos juros mais altos do mercado brasileiro.

O que a sua tela passa a dizer

Vale ver a conta pequena, do começo ao fim. Você tira dos Relatórios a média de seis meses de alimentação, R$ 1.400. Coloca um limite de R$ 1.200 e marca de agosto a dezembro. São R$ 200 por mês de diferença, o que parece pouco, e cinco meses depois são R$ 1.000, o que já não é.

Antes, a sua tela mostrava um total de despesas no fim do mês e a pergunta "para onde foi isso tudo". Depois, ela mostra oito categorias com barra de progresso, quanto falta em cada uma e um aviso quando alguma delas chega perto do teto. O gasto não some, ele fica visível enquanto ainda dá para mexer.

Uma ressalva honesta: orçamento não muda preço. A conta de luz vai subir do mesmo jeito com bandeira amarela, e nenhum limite dentro de um aplicativo faz a energia ficar mais barata. O que muda é onde você vai buscar os R$ 60 a mais da luz, se numa categoria que você escolheu apertar ou no cheque especial do dia 28.

O próximo passo, hoje

Abra os Relatórios, olhe a categoria que ocupa o maior percentual do seu mês e anote a média de seis meses dela. Tire 10% desse valor e crie um limite de gasto com esse número, marcando todos os meses que faltam até dezembro. Uma categoria só, a que mais pesa. Quando você tiver dois meses fechando dentro do teto, acrescente a segunda.

Não é sobre gastar menos em tudo. É sobre saber, no dia 15, quanto ainda cabe.

Mini-glossário

  • IPCA: o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo, medido pelo IBGE, é a inflação oficial do país, uma média de preços de uma cesta de consumo das famílias.
  • Bandeira tarifária: um acréscimo na conta de luz que sinaliza o custo de gerar energia no mês, verde quando está barato, amarela e vermelha conforme encarece.
  • Limite de gasto: no orçamento, o valor máximo que você decide gastar numa categoria, num cartão ou numa conta, dentro de um mês.
  • Meta de receita: o oposto do limite, o valor que você quer que entre no período, útil para quem tem renda variável.
  • Rotativo: o empréstimo automático que o cartão faz quando você paga menos que o valor total da fatura.

Fontes

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Limite de gasto por categoria no Fôlego: como ser avisado antes de estourar o mês | Fôlego